sábado, julho 14, 2007

"O silêncio que ninguém ouviu foi a primeira coisa que se viu." (Arnaldo Antunes)

Cai de cima do mundo e nem percebi.
To presa aqui no parado, vendo o vento indo e vindo como um pássaro.
E apesar de não vê-lo, vejo.
Confundindo-me entre linhas e brancura, ponho a ver-me numa eterna vida nula.
Onde é que eu esqueci a cor?
Talvez no mesmo lugar onde esqueci minha sanidade...
E sentada permaneço.Permaneço.E permaneço por semanas...
Caramba!
Permanecendo semanas?
Dias e dias??Horas e mais horas?
Oh Deus! Havia de ficar louca.
Então o que havia de haver houve.
Louca enlouqueci correndo naquele monte de branco e nada aparecia.
Sintia-me um ponto de exclamação...
Mas um ponto de exclamação branco!!
Ahhhhhhhhh!
Enlouquecendo cada vez mais ia.
E ia.
E não voltava!!
Afinal...
Aonde ia?!
A que lugar eu estava indo?
A que lugar pertenço?
Deveria pertencer a algum lugar?
Outra vez, confusa colocando-me a sentar.
Ou sentando e colocando-me?Ou calando e soltando-me?
Ou...ou...ou...ou...Ou!
De que vale tanta confusão com esse bando de branco?!
Vale nada...
Vale branco ao quadrado, isso sim.
E nada da cor.
Fugiu de mim.
Ou eu que fugi dela e da sanidade.
Da sanidade fujo mesmo...
Mas da cor?
Ah...
Já nem sei.
Creio que ela tenha fugido de mim por falta de sanidade.
Tudo tão dependente.
E indiferente.
Tudo...
Me absorvendo e eu sem nenhum escudo.
Nenhuma idéia.
Nenhum amor...
Como amar o nada?!
E nenhuma lembrança ali ecoava...
Nem a mim mesma mais eu vejo.
E o passado se tornando presente igualmente ao futuro.
E eu ali.
Ou aqui.
Dá na mesma, não dá?
Alô?!
Tem alguém aí?
Não...
É apenas o eco nesse branco!
Nesse vazio...
Tento esconder-me entre meus dedos.
Mas esconder-me de quê?
Já nem me lembro.
Nem sei.
Sei.
Ei.
Ei.
Eco.
E ponto? Ponto.

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